7 de dez. de 2012

Rastros de Reznor

Sempre explorando novas atmosferas sônicas, Trent Reznor assina o How to Destroy Angels ao lado de Mariqueen Maanding, Atticus Ross e Rob Sheridan. O projeto, iniciado em 2010, chega com o ep An Omenque traz as mais diversas ranhuras sonoras sob a voz cadenciada e suave. Batidas, samplers, colagens e distorções configuram a musicalidade além das classificações desastrosas. Abaixo, "Seaking in Tongues", última faixa do ep lançado em novembro de 2012.

5 de dez. de 2012

Imprevistos sonoros

O produtor londrino Lukid evita as fórmulas e as classificações sonoras para explorar caminhos sensoriais que vão além dos releases. Mesmo com a utilização de equipamentos eletrônicos e digitais, o  músico mantém o espectro orgânico e vivo de suas obras. Ao lançar seu terceiro álbum, Lonely At The Top, em outubro de 2012, Lukid segue na sua intuição, como a previsão do tempo, sempre trazendo surpresas para nossa vida, principalmente a auditiva. Cantos e Cantigas compartilha uma apresentação recente de Lukid, de quase 50 minutos, na Bolier Room.

13 de nov. de 2012

Menos cegos, surdos e mudos

A fusão de letras politizadas e elementos da pop music fez do Talking Heads um dos nomes mais significativos da cultura estadunidense e mundial a partir dos anos de 1970. Circulando de maneira criativa e original entre diferentes espaços sônicos, o quarteto formado por David Byrne (vocal e guitarra), Chris Frantz (bateria), Tina Weymouth (baixo) e Jerry Harisson (teclados e guitarra) forjou um estilo de som totalmente envolvente, sendo dançante e informativo ao mesmo tempo.

Vivendo no período em que o comportamento exteriorizado tornara-se o guia para as manifestações vanguardistas, o TH catalizou e sintetizou tudo o que acontecia ao seu redor, incluindo a ditadura midiática e a democracia faz de conta do país que instituiu o Plano Marshall. Em "Blind", por exemplo, o grupo aborda a questão do marketing político norte-americano de uma maneira ácida e, em certos momentos, subjetiva. A canção (e videoclipe), que integra o álbum Naked, de 1988, fala sobre a construção da imagem por meio dos signos, estratégia muito usada nas campanhas eleitorais do tio Sam. A obra mais parece uma aula de semiótica, mas sem aqueles termos acadêmicos que, muitas vezes, camuflam a inteligência terráquea.

Em tempos em que Barack Obama mantém sua cadeira aquecida na Casa Branca (de Neve), apropriando-se de fórmulas datadas de comunicação, as composições atemporais de David Byrne e sua turma nos fazem ouvir e ver além das entrelinhas.


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