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8 de mar. de 2016

Dias de conversa da boa com a Andreia

Desde os tempos da nada convencional Banda Dona Zica, passando pela versátil Banda Glória, a multifacetada Andreia Dias (sem acento mesmo) tem abusado do seu talento vocal, acrescido de uma boa dose de dramaturgia. Tanto no estúdio como no palco, a moça mantém o fôlego e conduz o seu canto por um caminho onde as fofocas midiáticas não surtem qualquer efeito.

Marotos e cadenciados léros de samba do morro. Duos despojados que parecem surgir em meio à molhada de bico no balcão do bar da esquina. Bate-papos do além a parafrasear a vida e suas nuances sobre ritmos tropicais ou de outras moradas. Assim, há mais de uma década e pedaladas, essa paulistana ponta-firme mete o bedelho em projetos repletos de paixão e devoção à música.

Basta escutar qualquer um de seus álbuns para cair a ficha de que a sonoridade da intérprete está longe daquelas conversas forçadas de vizinhos quando pegam o mesmo elevador. Infelizmente, as emissoras de ondas curtas, médias e longas de nossas terras dão de ombros, fingindo não escutar o que essa voz feminina tem a dizer e cantar.

Feliz Dia Internacional da Mulher!

Discografia
Andreia Dias Vol. 1, 2008
Andreia Dias Vol. 2, 2010
Pelos Trópicos, 2013
Prisioneira do Amor, 2015
Poderosos Aliados, 2016


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6 de set. de 2011

As seis décadas de Saudosa Maloca

Em 1951, João Rubinato, conhecido pela alcunha de Adoniran Barbosa, adentrava o estúdio para a gravação de "Saudosa Maloca", que escancarava a realidade e o descaso social numa São Paulo que se industrializava e se tornava culta aos abastados da época em busca de perder o rótulo de provincianos. Mas a popularidade da canção só viria quatro anos depois, na regravação do Demônios da Garoa. As décadas se passaram e, a partir dos anos 1980, o rap se transformaria no hino das injustiças sociais e raciais. Porém, o samba de "Saudosa Maloca" traz, na sua essência, os elementos fundamentais de uma rima de responsa.

Versão gravada pelo Demônios da Garoa, de 1955.

10 de nov. de 2010

Bezerra é Bezerra, mané é mané

Ao ler o jornal dia desses, vejo uma matéria sobre o novo disco do Marcelo D2 com sua fotinha de divulgação a tiracolo. Até aí nada de interessante. Mas, ao ler a reportagem, percebe-se que o figura dito malandro de roupinha importada teve a cara-de-pau de regravar alguns dos clássicos de Bezerra da Silva, o personagem mais intenso e destacado do samba “gangsta” (com o perdão da palavra) que o Brasil já teve.

A começar pela capa do tal Marcelo D2 Canta Bezerra da Silva, o trabalho cheira e exala o mais puro oportunismo do marketing fonográfico. A arte do disco nada mais é do que uma desclassificada cópia do LP Eu Não Sou Santo, do mestre Da Silva, lançado em 1990. No campo musical, a situação é pior ainda. Ouvindo a faixa “Malandro é Malandro, Mané é Mané", a voz anasalada e sem levada de MD2 e os floreios sonoros tornaram o clássico uma coisinha boba a virar hit do folhetim Malhação da rede plim-plim de televisão.

Depois de querer transformar Nova Iorque em Baixada Fluminense, o fantoche malandro da EMI tenta, de forma desastrosa, assombrar o legado sambista eternizado por Bezerra da Silva, o primeiro BS da terrinha

Ressalva: propositalmente não inseri a imagem da capa do disco muito menos o link para ouvir a versão em questão. Pois o Cantos e Cantigas evita promover essa cambada de aproveitadores, mesmo sendo pelo viés negativo.

Texto publicado originalmente no http://amargem.blog.terra.com.br/
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