8 de jul. de 2011

Monumento ao rap

Em tempos em que o rap parece estar saturado devido ao alto nível de ostentação propagado por figuras estilo "pimp" herdado de forma distorcida dos pesados gansta. Pois ser "o cara" ou "a mina" passou a ser o discurso repetitivo sobre as bases produzidas na intenção de grudar na cabeça, o tal chiclete cerebral. Na contramão desta superficialidade de carinha fechada, a junção de Pete Rock e Smif-n-Wessun chega para dar aula de como se faz rap de responsa.

No recém lançado Monumental, a dupla Tek e Steele assume o microfone com sua levada originial e cadenciada enquanto Pete Rock coloca em prática seu vasto conhecimento produtivo adquirido nos anos e anos de estúdio e apresentações ao vivo. Para tornar o álbum ainda mais enriquecedor e universal, o trio convidou Bun B, Raekwon, Styles P, Sean Price, Pharoahe Monch, Buckshot, Black Rob, Freeway, Memphis Bleek, Rock (Heltah Skeltah), Hurricane G, Top Dog (Boot Camp Clik) e Jahdan (Noble Society).

Laçando em 2011 pela Duck Down Records nos formatos CD, MP3 e LP, Monumental apresenta 14 pancadas sônicas que representam uma escola atemporal do hip-hop. Rap de atitude sem precisar ganhar ibope de camisa aberta, maquiagem de mal elemento e um bando de falsos trutas.

5 de jul. de 2011

Sobras e pensamentos

"Famintos, eles digladiam-se pelas migalhas deixadas no pote do poder."

Rodrigo Ventura

4 de jul. de 2011

As texturas universais de Prefuse

As sonoridades estão por aí, propagando-se pelo ar. Sem limites, sem domesticação, sem rótulos, sem data de validade para quem foge das mesmices duramente impostas pelo escudo midiático usado pelas gravadoras no intuito mercantilista de conter as ondas alternativas provocadas pela atmosfera online. Enquanto a crise econômica alimenta o ufanismo no dito primeiro mundo, Prefuse 73 segue manejando suas parafernálias eletrônicas trazendo sua universalidade sônica aos nossos ouvidos.

No mais recente The Only She Chapters, o produtor e músico compartilha sua intensa experiência, nos levando para dimensões auditivas isentas de formatos e estruturas pré-estabelecidas. A combinação de instrumentos musicais, vozes, sons distorcidos e loops atemporais surge como a água do rio, o vento sobre as folhas, o estrondo do trovão em pleno horizonte. Puro e simplesmente a natureza que emana de dentro para fora. Essa é somente uma percepção das infinitas fendas deixadas por TOSC, de 2011. Ouvir e seguir ouvindo não será repetitivo. Será contemplativo.
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