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30 de nov. de 2016

Bom batuque de fim de ano

Entre os mega eventos caça-níqueis dedicados à musica e entretenimento, algumas iniciativas realizadas em terras paulistanas mantêm-se fiéis à programação de qualidade e entradas a preços sensatos. Uma destas ações é o Festival Batuque, que possibilita, ao público, um panorama da cena hip-hop, seja no espaço ou no tempo.

Na edição deste ano, o SESC Santo André continua com a proposta de diversidade, a começar pelo Digable Planets que sobe ao palco como a atração internacional nos dois dias do encontro. O trio nova-iorquino composto por Ishmel "Butterfly" Butler, Mary Ann "Ladybug" Vieira e Craig "Doodleug" Irving ganhou prestígio no início dos anos 1990, ao combinar levadas fluídas e cadenciadas às bases recheadas de elementos jazzísticos e eletrônicos. Atualmente, os integrantes tocam projetos paralelos ao DP.

Porém, as participações de pesos-pesados do rap nacional, como Black Alien e Criolo, devem fazer a diferença para encher o local. Voltando com força máxima, em 2015, o rapper são-gonçalense de estilo único fecha a noite de sábado (17), mandando sons de seus dois discos: "Babylon By Gus Vol. I - O Ano do Macaco" (2004) e "Babylon By Gus Vol. II - No Princípio Era o Verbo" (2015). Já no domingo (18), o encerramento fica por conta do mc da zona sul de São Paulo e seu repertório impressionante, acrescido de versatilidade incomum no jeito de musicar pensamentos e sentimentos. Para quem for, vale a dica de não perder tempo com os uniformizados de grifes do gênero que insistem em fazer tipo, tentando ofuscar o alto padrão sonoro ecoado no Festival Batuque.

Clique aqui para conferir o agenda completa do evento e comprar ingressos, disponíveis a partir de 6 de dezembro. Bom espetáculo!


7 de nov. de 2014

Heebie Jeebies

Depois de um bom tempo sem gravar, o Hieroglyphics chega com uma nova sonoridade. O cabuloso coletivo de rap de Oakland, na Califórnia, EUA, se reuniu no Red Bull Studios, na costa leste norte-americana, e lapidou "Heebie Jeebies", lançada há uma semana, que o Cantos e Cantigas compartilha abaixo. A produção do som ficou por conta de Gully Duckets.

18 de out. de 2014

Riscos revolucionários

Nome de respeito no hip hop mundial, o DJ Revolution domina os toca-discos de uma forma única, sempre com bases pesadas, colagens sinistras e schratches alucinantes. Tendo uma passagem pelo Brasil no primeiro semestre deste ano, quando gravou um EP com rappers nacionais no Red Bull Station, em São Paulo, o DJ e produtor, local de Los Angeles, EUA, mostra a arte dos riscos e samplers nesse vídeo captado em seu QG sonoro.

3 de out. de 2014

Rima afiada e afinada do Kalvo

Recentemente, o Cantos e Cantigas conheceu o Vinicius Silva, nome dado no cartório ao o Kalvo, figura gente finíssima que faz um trabalho digno e de respeito no rap tipicamente nacional. Vindo da extrema sul da zona sul de São Paulo, especificamente de Parelheiros, o emecee não limitou-se a compor as suas letras apenas inspiradas na realidade do próprio bairro, mostrando originalidade e capacidade criativa niveladas por cima. A levada e o cuidado com as bases ou texturas sonoras de cada faixa produzida são outras qualidades que só somam no trampo artístico deste rapper. Abaixo compartilhamos a pesadíssima "Guerra Civil", música a revelar o verdadeiro campo de batalha no trânsito de qualquer cidade grande (e nada civilizada) do Brasil.

Agradecimento: Diogenes de Moraes Costa.

25 de set. de 2014

The History of DJ

A presença dos DJs, sem dúvida nenhuma, ganhou notoriedade mundial quando passou a aplicar técnicas e criatividade nos toca-discos ainda sem muitos recursos tecnológicos, como agulhas específicas, controles de bpm pelo pitch e sistema magnético de rotação (magnetic drive). Porém, esta figura já tinha sua importância na cena musical antes mesmo do surgimento do hip hop propriamente dito, como relata este documentário produzido pelo DMC World, responsável pelo maior torneio de DJs do mundo. Intitulado The History of DJ, o filme registra desde os primórdios da arte da discotecagem e da mixagem até os festivais de música eletrônica, onde o DJ exerce uma espécie de hipnose contagiante sobre o público presente.

Abaixo, confira o trailer deste documentário lançado em 2014.

18 de mar. de 2014

Direto do Texas

Erykah Badu manda a estonteante "The Healer" durante apresentação em Austin, no estado texano. A artista brinca com a voz e a rima sobre a base jazzística temperada  de schratches, promovendo uma jam session expontânea.

 

16 de out. de 2013

Tributo ao Guru

Integrante do The Fours Owls, grupo de rap cabuloso vindo da cena britânica, Verb T chega com este som em homenagem ao Guru Jazzmatazz. Chamada de "Lost", a pancada seca e direta faz parte do álbum I Remain, que será lançado pela High Focus Records, no dia 23 de outubro de 2013.

28 de ago. de 2013

Inverno quente inverno

O Haikaiss, grupo de rap que tem representado com um som pesado e letras criativas, chega nesta pancada sônica, tendo a participação ainda mais cabulosa do Sombra no mic. A base ficou por conta do Pacheco e o mix foi assinado por Spivc.


15 de jan. de 2013

Kamau em cena

O Cantos e Cantigas volta ao ar, em 2013, com o novo trabalho do Kamau que representa na rima criativa. Neste vídeo publicado pelo Estúdio Trama, o versátil MC emana "E Se" e "Eu Quero Mais", sem precisar fazer naipe.

11 de set. de 2012

The real hip hop is over

Num palco da Califórnia, nos EUA,Talib Kweli representa o improviso sobre a base de "Perfect Beat", do álbum Ear Drum, de 2007. Com o sampler suingado de "Do it Twice", de mestre Bob Marley, o MC compartilha as rimas com o poderoso KRS One que chega sem frases feitas, sem gaguejar, emanando seus longos anos dedicados ao rap.

22 de ago. de 2012

O groove de Arrrigo

Atento a diferentes sonoridades, sejam elas contemporâneas ou não, Arrigo Barnabé seguiu um caminho próprio na música brasileira. Entre as inúmeras peças sônicas criadas pelo paranaense, desde o fim dos anos 1970, está "Dedo de Deus", composta em parceria com Mário Manga e incluída no álbum Suspeito, de 1987. A música permeia pelo funk groove que determinou o rap estadunidense e chegava para influenciar a juventude da terra brasilis, principalmente a que tinha alguma afinidade com o breakSobre a linha suingada do baixo, o som marcante da bateria e a psicodelia do teclado (no melhor estilo Zapp), Arrigo descarrega uma rima seca e direta, mandando um discurso crítico e atemporal.

7 de jul. de 2012

TECENDO AS BATIDAS

Sem se limitar às barreiras do tempo e das classificações sonoras, Samon Kawamura costura suas peças sônicas sobre bases pesadas de hip-hop. Em meio à aparelhagem e instrumentos do estúdio, o produtor japa-germânico tece sua obra atemporal. O vídeo não é novo, mas vale pelo conteúdo.

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25 de abr. de 2012

Beat Basement: hip hop além dos rótulos

Depender das FMs para conhecer sonoridades diversas no Brasil é difícil, ou melhor, quase impossível. No caso do hip hop, a situação é ainda mais agravante, pois além dos limitados espaços nas frequências moduladas, as baladas ditas "black" se mantêm no círculo vicioso das linhas mais pops e reboláveis, privilegiadas pelas megaproduções gringas.

Beat Basement, no iTunes.

Mas para sair ileso deste moedor de carne sonoro, uma opção interesante é o Beat Basement, que rola dentro das rádios do iTunes, entre outros programas de áudio disponíveis na internet. A estação online dedicada-se ao rap fora dos holofotes midiáticos. Nomes como Mister Voodoo, Bad Cop, MHZ, Delegates of Culture e MC Juice surgem em meio às pancadas de Madlib, GZA, The Roots, Jurassic 5 e Mos Def, por exemplo. Sem propaganda, sem alastrar, sem ficar pagando.

5 de mar. de 2012

Respeitável público

Public Enemy é um nome além das tentativas de rotulação e temporalidade impostas pelos meios de comunicação. A pancada sônica, vinda em forma de rimas politizadas sobre instrumentações que fundem tons pesados e suingados, atravessou as barreiras do comodismo e da hipocresia. Nesta versão ao vivo de "Black Steel In The Hour of Chaos", durante a turnê australiana, no início de 2012, Chuck D e seus chegados assumem a responsabilidade de subir ao palco para chacoalhar o corpo e a cabeça do público presente.

16 de nov. de 2011

Sinfonia do gueto

Foto de Jamel Shabazz ilusta a capa do novo álbum do The Roots.
Em dezembro, especificamente no dia seis, o The Roots chegará com um novo álbum na praça. Intitulado de undun, o trabalho já está sendo divulgado por meio de vídeos com trechos das faixas. Abordando temáticas que recortam a realidade dos subúrbios norte-americanos, o grupo da Filadélfia volta forte ao discurso que marcou seus primeiros discos.

Tip the Scale, Make My e Stomp

10 de ago. de 2011

J Dilla respect

Por meio de entrevistas, documentário de 2010 resgata a trajetória de J Dilla, produtor musical de Detroit que viveu intensamente em Los Angeles. Dilla partiu desta dimensão em 2006, mas deixou um precioso legado ao abrir novos caminhos para as bases instrumentais do rap.

Parte 1




Parte 2




Parte 3


8 de jul. de 2011

Monumento ao rap

Em tempos em que o rap parece estar saturado devido ao alto nível de ostentação propagado por figuras estilo "pimp" herdado de forma distorcida dos pesados gansta. Pois ser "o cara" ou "a mina" passou a ser o discurso repetitivo sobre as bases produzidas na intenção de grudar na cabeça, o tal chiclete cerebral. Na contramão desta superficialidade de carinha fechada, a junção de Pete Rock e Smif-n-Wessun chega para dar aula de como se faz rap de responsa.

No recém lançado Monumental, a dupla Tek e Steele assume o microfone com sua levada originial e cadenciada enquanto Pete Rock coloca em prática seu vasto conhecimento produtivo adquirido nos anos e anos de estúdio e apresentações ao vivo. Para tornar o álbum ainda mais enriquecedor e universal, o trio convidou Bun B, Raekwon, Styles P, Sean Price, Pharoahe Monch, Buckshot, Black Rob, Freeway, Memphis Bleek, Rock (Heltah Skeltah), Hurricane G, Top Dog (Boot Camp Clik) e Jahdan (Noble Society).

Laçando em 2011 pela Duck Down Records nos formatos CD, MP3 e LP, Monumental apresenta 14 pancadas sônicas que representam uma escola atemporal do hip-hop. Rap de atitude sem precisar ganhar ibope de camisa aberta, maquiagem de mal elemento e um bando de falsos trutas.

27 de jun. de 2011

"Big Dreams"

Aos 20 e pouquíssimos anos de vida, o emecee californiano Fashawn apresenta uma levada muito interessante para emanar suas rimas. Neste vídeo de "Big Dreams", faixa muito bem produzida por J. Cole e que faz parte da fita mista Higher Learning Vol.2, o rapper mostra suas qualidades sonoras em pleno território espanhol.

13 de jun. de 2011

Revivido em laboratório



Era mil novecentos e noventa e nove. O gangsta rap tomava de assalto o rhythm and poetry no cenário mundial. Com isso, uma legião de aprendizes com rostinho de mal encarado ganhava espaço nas rádios e enchia os sofás pomposos das majors. Todos alí, sem exceção, no rastro deixado pelos californianos do lendário N.W.A.

Enquanto isso, vindos de Oxnard, pequena faixa litorânea próxima à Los Angeles, o trio Lootpack debutava Soundpieces: Da Antidote! pelo selo Stones Throw, do DJ Peanut Butter Wolf. De forma experimental, o projeto, acima de tudo, resgatava as batalhas de rimas e os improvisos que elevaram a presença dos emcees nos grupos até o final dos anos 1980.

Madlib, Wildchild e DJ Romes entraram em clima laboratorial, sem fazer naipe de Lex Luthor, para emanar cada faixa do álbum. Tudo fora da órbita vigente. Bases, colagens, loops, cortes secos, quebradas e samplers preencheram o tubo de ensaio sonoro antes de receber as devidas combinações vindas direto do mic. É um experimento orgânico cujo os integrantes sabiam muito bem o resultado provocado pelas substâncias misturadas.

Para provocar uma reação química ainda mais intensa aos ouvidos, LP contou com uma banca de PHDs do rap alternativo. Dilated Peoples, Oh No, Medaphoar, Alkaholiks, Defari, Kazi, God’s Gift e Declaime intercalam-se entre as vinte quatro peças sonoras que compõem a obra.

Soundpieces: Da Antidote! foi lançado há mais de uma década, quando passou quase despercebido pela grande mídia e soando incompreensível demais para os formais. Ainda hoje, muitos aventureiros-sem-conteúdo do improviso mal sabem que esse estilo de rimar foi revivido pelos cientistas visionários do Lootpack. Puro antídoto contra os parasitas metidos a MCs.

(Publicado originalmente no blog À Margem, em dezessete de abril de 2009)
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